Após interromper o diálogo com as torcidas organizadas do Corinthians por conta da invasão ao CT proporcionada por cem pessoas no último sábado, o presidente Mário Gobbi Filho pediu paciência à torcida com a reconstrução iniciada em 2014. De acordo com o mandatário máximo do clube, não há motivo que explique os atos de violência menos de dois anos após o Timão ser campeão mundial. Além disso, o ambiente pós-invasão, quando a propriedade do clube foi violada, funcionários roubados e até um jogador, Paolo Guerrero, agredido, "está parecendo o Vietnã".
- Sabe o que parece? Que estou no Vietnã. Vou ter que me preocupar com segurança? O que fiz de errado? Todos nós cuidamos do Corinthians com amor, com carinho, e faz sete anos que o Corinthians vive de glórias. Se eu preciso de segurança talvez acho que não deva ser o presidente do Corinthians... quem viver, verá. Vamos ver quarta-feira como será - disse o presidente, respondendo a uma pergunta sobre o aumento de segurança particular e do próprio clube, que já reforçou seu efetivo nesta segunda-feira.
O comentário de Gobbi logo repercutiu na coletiva de imprensa, quando o presidente foi questionado se pensou em abandonar o cargo por conta da invasão do último sábado. Apesar da chateação, o ex-delegado de polícia negou que tenha intenção de deixar a presidência do clube, e promete agir contra os revoltados e defender o patrimônio do Corinthians. Nesta segunda-feira, inclusive, ele deverá levar ao Distrito Policial de Ermelino Matarazzo as filmagens e os nomes das testemunhas e vítimas da ocorrência.
- Fiquei sócio do Corinthians em 2000, em 2002 virei conselheiro vitalício e em 2004 comecei a ver que a gestão do Corinthians não era das melhores. A partir daí, formamos um grupo político que tirou o poder do seu Alberto Dualib. Quando você enfrenta uma situação dessa, depois tem que ser homem de segurar. Tenho que honrar meu compromisso em prol do Corinthians, e faltam dez meses para terminar o meu mandato. Enquanto me quiserem como presidente, tenho que seguir. Quando não quiserem, é só decretar meu impeachment. É normal formar feridas, e comecei o ano assim. Espero terminar com alegrias - refletiu Mário Gobbi, que relembra com alegria o time formado desde 2008.
- Foram seis anos de trabalho, e um time você vai montando. A cada seis meses tira alguns e põe outros, aumenta a qualidade técnica até sair um time quase perfeito. Estamos exatamente no recomeço. Vamos reciclar, recomeçar, temos profissionais competentes que conduzem isso, mas precisa ter paciência. Se não tivéssemos contra o Tolima (eliminação da Pré-Libertadores, em 2011), não teríamos o Tite e o Mundial. Agora, quero que todos saibam que pressão interna já existe, ninguém precisa por pressão na gente. Queremos honrar as tradições e a história do Corinthians, mas precisa de um tempo. Ali na frente vamos colher coisas boas. Tem que saber passar por essa fase para que na próxima a colheita seja boa.
Gobbi foi agredido quando era diretor - Em julho de 2009, o atual presidente do Corinthians era diretor de futebol da gestão de Andrés Sanchez, e sofreu com a ira da torcida enquanto almoçava no Parque São Jorge. Após anunciar as vendas de André Santos, Cristian e Douglas, o dirigente disse que "não era um desmanche, mas uma necessidade que o clube tinha", e que era necessário "passar ao torcedor a real cultura do futebol". Segundo a lembrança de Gobbi, os torcedores entenderam que ele teria dito que torcedor não tem cultura. Por isso, foi agredido.
- Usei essa expressão, cultura, e deu-se a confusão. Um torcedor da Camisa 12 me deu uma cadeirada no rosto. Apartei, acalmei todos, voltei para minha mesa, tomei minha cerveja e fui embora para minha casa. Não chamei polícia porque sou um dirigente, tenho que zelar pela paz. Entendi que a pessoa não tem consciência da conduta dela - relembrou.
Na invasão do último sábado foram agredidos uma faxineira do hotel do Corinthians e o atacante Paolo Guerrero.
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