quarta-feira, 16 de julho de 2014

O Brasil não precisa de um técnico, mas de um oncologista - E “O Lado Sujo do Futebol”

A saída de Felipão deveria ser um importante passo para a tão sonhada e necessária reformulação em nosso futebol. Não precisamos de um técnico, mas de um oncologista. O câncer alastrou-se pela CBF e só um especialista poderá extirpá-lo.
A CBF precisa ser posta do avesso ou continuaremos enxugando gelo. Já ouvi falar nos possíveis substitutos e só posso imaginar que estejam brincando com a massa. Tite? Mano? Leonardo? Galo? Não levaram o Ganso e agora sugerem o Galo? Nenhum brasileiro está capacitado técnica ou moralmente a assumir a seleção brasileira. Todos estão comprometidos com suas fundações, escolinhas, empresariando jogadores ou viraram comentaristas. Cada qual com os seus interesses pessoais. O Galo é amigo do Marins, o Tite, do Andres Sanchez e assim por diante. E é isso. Das arquibancadas chiques, das arenas milionárias, assistimos nossa seleção ser goleada, colocada na roda pelos gringos, e a grandiosidade de nosso futebol escorrendo pelo ralo. Na minha estreia pela Máquina, em 75, ganhamos do Bayern, no Maracanã.
De lá para cá, os alemães evoluíram e nós só afundamos. Ganhamos títulos graças aos talentos individuais. Tem sido assim. Mas nessa Copa, apostaram em Neymar e vimos outro menino de 22 anos brilhar: Mario Götze. Os cartolas quebraram a cara, bem feito! Já falei e repito, o presidente da CBF deveria ser eleito pelo povo! Mas o momento é de investirmos no intercâmbio. Só seremos salvos por alguém que chegue aqui descontaminado, com um olhar novo e moderno, alguém como um Klinsmann. Não sei se é ele, mas com esse perfil. Precisamos engolir nossa arrogância e respirar novos ares. Se nada der certo, vamos investir em nossa fama de um dos países mais religiosos do mundo e rezar muito, gastar o terço.


Na semana passada me reuni com velhos amigos para trocarmos ideias sobre seleção brasileira e nossos áureos tempos. Também assistimos imagens maravilhosas do Canal 100 sobre o histórico Fogão dos anos 60. Foi de arrepiar!!! Meu Deus, reencontrei Sebastião Leônidas, um dos maiores quarto zagueiros que vi jogar. Injustiçado, ficou fora da Copa de 70. Não o via há pelo menos 20 anos!!!!
Na resenha estavam eu, Leônidas, Carlos Roberto, Roberto Miranda, Afonsinho, Nei Conceição e Jairzinho Furacão. Tem como não ser nostálgico? Tem como não sentir saudade da Selefogo? E na sexta-feira, o que vejo? A seleção-concessionária, cheia de volantes: Henrique, Hernandez, Ramires, Fernandinho, Paulinho e algum outro que devo ter esquecido o nome. Quem sabe sair jogando? Dependemos de jogadas ensaiadas porque improvisadas, esquece. Depois do jogo, Cláudio Adão me ligou. Lembram da matada no peito dele? Da elegância? Do estilo? E Nei Conceição, o Nei Chiclete? Ganhou o apelido do Rei Pelé, impressionado com o fato de a bola não desgrudar de seu pé. Querem que eu não seja nostálgico? E o Afonsinho, jogava direitinho? Para sentirem o nível, em determinada fase, Afonsinho e Nei foram reservas de Gerson e Carlos Roberto. Roberto Miranda, campeão de 70, desmoralizava beques. Estava ali, bem na minha frente e alguns dias depois tenho que aturar o Fred, estático.
Não vai receber bolas nunca. Por favor, cartas para a redação informando quem é o homem de ligação da seleção. Não gosto dessa história de comparações mas dá muita saudade. Reencontrar o Furacão Jairzinho faz voltar ao passado. Lembro das arrancadas objetivas e a torcida enlouquecida! Hoje os torcedores rezam para o juiz encerrar a partida e colocar um ponto final no drama nosso de cada dia, mas na nossa época ela queria ver jogo, queria ver show, quanto mais, melhor! Foi gratificante reencontrar esses monstros sagrados do futebol e revê-los naquelas imagens em câmera lenta. Sinceramente, tem como não ser nostálgico?
FIASCO DENTRO E FORA DO CAMPO

Desde pequeno sempre ouvi dizer que “quem planta colhe”. Acho que a situação atual de nosso futebol só pode ser reflexo disso. Lendo um resumo do livro “O Lado Sujo do Futebol”, de Luiz Carlos Azenha, Leandro Cipoloni e Amaury Ribeiro Jr, fiquei estarrecido com as denúncias, bem embasadas, sobre o ex-presidente da CBF, Ricardo Teixeira. Em qualquer outro país isso não ficaria impune. A matéria saiu na capa da Carta Capital e mostra um cartola confiante na impunidade, um homem que chegou a usar dinheiro público numa empresa de direito privado. Essa podridão deve ter contaminado o futebol, que vive dias de horror em campo. Os três últimos jogos do Vasco, contando o empate de ontem contra o Bragantino, não só deixam o torcedor preocupado com a possibilidade da não classificação para a primeira, mas com a queda para terceira. Na Série A, que pelo nível dos jogos também deveria ser B, Flamengo x Santos, Atlético Mineiro x Criciúma, Botafogo x Vitória e São Paulo x Grêmio proporcionaram um show de horrores!!!! Não dá para elogiar nada, sinceramente!!! Está tudo um lixo!!!! Não é possível que alguém consiga assistir um jogo inteiro. Mas a final da Liga dos Campeões eu vi e vibrei com a vitória do Real Madrid porque ela puniu a covardia de Diego Simeone. O argentino teve a chance única de consagrar-se campeão, mas orientou seus jogadores a recuar. Acovardou-se e viu seu aplicado time perder para o futebol ofensivo. A entrada de Marcelo foi fundamental para essa mudança e também provou ao técnico do Real que só jogadores talentosos são capazes de furar bloqueios retranqueiros. A Copa está quase aí e teremos a oportunidade de acompanhar outras escolas de futebol porque a nossa está difícil....

Fonte: blog do Paulo Cesar Caju

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