Portal "O Pote" nasceu com o projeto do velejador Beto Pandiani e acabou se tornando uma opção para os esportistas
Atletas amadores e profissionais sofrem para encontrar patrocinadores e quem financie suas viagens para competir e treinar fora do país. E uma prática que vem se tornando comum entre eles é usar sites de "vaquinhas" para buscar verba. São diversos exemplos de empresas que contribuem para o chamado financiamento coletivo, ou crowndfunding.
E o portal, que foi lançado oficialmente no dia 1º de março de 2013, acabou se dedicando ao esporte. "Acho que foi por causa do Beto. Ele acabou trazendo mais projetos de esportes e estamos adorando isso", afirma Ana Paula.
O site O Pote nasceu ao final de 2012 com o projeto do velejador Beto Pandiani. "Ele já tinha alguns patrocinadores, mas precisava de verba para fazer a sua sétima travessia. A ideia era sair de Cape Town e cruzar até Ilha Bela em um barco catamarã sem cabine. Deu certo e foram 38 dias no meio do mar. Era ele e o Igor, seu companheiro. O Beto entrou no pote precisando de R$ 150 mil e fechou com mais [R$ 166,5 mil]", conta Ana Paula Moreira da Costa, uma das criadoras do site.
O último "pote" fechado, como a empresária diz, foi o de Rafael Paschoalin. Em 2013 ele conseguiu pelo site verba para participar da corrida de moto TT Isle of Man, na Irlanda. Esse ano, repetiu o projeto e conseguiu arrecadar o dinheiro necessário mais uma vez. Ele embarca neste domingo para um período de treinos em Londres e disputa a prova, considerada uma das mais perigosas do mundo, no final do mês.
Quem participa
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Qualquer um entra no site e cadastra o seu projeto, explicando seus objetivos, por que precisa da verba e como ela será usada. Os projetos são avaliados e aprovados por uma equipe do site.
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Quem doa
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Tem aqueles doadores com alguma coisa a ver ou com o dono do projeto e que vai doar independente do que você vai fazer porque ele acha que você é uma pessoa incrível. O restante, é por paixão pelo esporte.
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Recompensas
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Os sites oferecem as opções de doações livre e também a compra de recompensas, como adesivos por R$ 10 ou camisetas por R$ 80 e até cotas de patrocínio para expor o nome da empresa por R$ 10 mil.
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Prazo
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Alguns sites limitam os projetos a 25 ou até 60 dias. Outros não colocam um prazo, mas indicam que projetos não fiquem muito tempo no ar para não perder a força.
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Quanto custa
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É cobrada uma taxa dos participantes destinada à manutenção do site e dos projetos. O valor pode ir de 10% a 12,5%. No geral, o site só recebe esse valor se a meta do participante for cumprida.
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E se não der certo
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Se não for alcançado do valor estipulado pelo participante, o dinheiro é devolvido ao doador ou o doador pode redirecionar a verba para outros projetos do site.
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A ideia de fazer "vaquinha" também é usada por atletas conhecidos, como a campeã olímpica Maurren Maggi. E há sites especializados em atender atletas que tenham chances de disputar uma Olimpíada, como o Apoie um Atleta. Outra iniciativa decidada ao esportistas é o SalveSport, que aceita projetos de competidores ou mesmo que tenham ligação com esporte, como um livro de memórias olímpicas ou escolinhas para buscar novos talentos.
Entretanto, é preciso ter os pés no chão ao começar uma campanha de financiamento coletivo. "Qualquer um pode fazer o upload do seu projeto que a gente vai receber e analisar. Tem gente que olha e vê valores altíssimos como R$ 100 ou R$ 60 mil e acha que é fácil, mas é muito difícil. Para conseguir essa quantia, tem que ter um network muito forte e não adianta ter 30 mil amigos. Eles têm que ter dinheiro e paixão para querer investir", avisa Ana Paula.
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E as propostas recebidas são as mais variadas. "A gente entra no nosso administrador e chora de rir porque tem coisas como 'Me ajuda a comprar um celular'. A gente prefere ter poucos projetos, mas que sejam bacanas", afirma a criadora do O Pote.
"A gente conversa sobre valores para que peçam o mínimo do mínimo para conseguir ir. E se conseguir o dinheiro, tem que cumprir e fazer o treinamento ou a competição que propôs. A gente sempre mete o nosso dedinho em relação a preço ou nome do projeto e a ideia que quer passar", continua a empresária.
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O perfil de quem investe nos atletas é até surpreendente. "A grande surpresa dos atletas é que quem enche o pote não são os amigos e eles até ficam chateados com isso. Quem enche são os fãs do esporte, sempre. São aqueles que realizam o sonho dele através do atleta", analisa Ana Paula. Entretanto, há mais interesse na história. "A grande maioria ainda doa porque quer a recompensa. É também o fato de ter uma lembrança e saber que participou do sonho do cara. É um patrocínio coletivo", completa.
Mas nem sempre tudo sai como o esperado. Algumas campanhas, como a da Maurren Maggi, são chamadas de flexíveis, ou seja, o atleta estipula uma meta e um tempo para alcançar o objetivo. Ao final da campanha, leva o que arrecadou. Na maioria dos casos, os projetos são de tudo ou nada. Ou se atinge o valor pretendido ou não se leva nada. Nesse caso, os doadores recebem o dinheiro de volta e podem reinvestir. "Se não fechar o pote, devolvemos para todo mundo que participou a gente também não ganha nada. Por isso é todo mundo trabalhando junto mesmo", explica Ana Paula.
O site já teve que abrir uma exceção. O piloto de kart Lucyano Silva queria R$ 12.281,00 para correr uma etapa do Brasileiro de Fórmula Junior. Conseguiu R$ 6,7 mil e seu pai entrou em contato com o portal para dizer que usaria o dinheiro e bancaria o resto. Ele também disse que conhecia os doarores e que nenhum queria o dinheiro de volta. "A gente concordou, mas os 43 que contribuiram tiveram que mandar e-mails para a gente avisando que não queriam o dinheiro. E a gente recebeu todos esses e-mails", conta a empresária.
Para quem quiser tentar, Ana Paula ainda dá uma dica: não faça um projeto longo esperando que mais tempo signifique mais resultado. "Quando a campanha é rápida mostra a urgência do atleta por aquele dinheiro e faz com que a pessoas se mobilizem. É impressionante como os dois últimos do pote são agitados", ensina.
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