Piauiense Jefferson da Silva baixa tempo dos 100m, que pertencia a Cláudio Roberto. Aos treinos, ele vai de bicicleta enquanto mãe corre atrás de patrocínio para viagens
O homem mais rápido do Piauí ainda tem uma barba rala no
queixo, mas deixou para trás uma marca que durava 20 anos. Jefferson da
Silva é o mais novo recordista piauiense dos 100 metros, a prova mais nobre do
atletismo. Ao entrar na pista da Universidade Estadual do Piauí, ele
cravou o tempo de 10s74, suficiente para derrubar a marca anterior, que era do velocista Claudio Roberto, medalhista de prata em Sidney 2000, quando ainda competia como juvenil nos anos 1990.
Jefferson da Silva ainda compete no campeonato de menores, mas
já projeta seu tempo entre os oito melhores do Nordeste na prova. A marca feita
na pista de brita serviu como uma chance de repetir o feito do último
recordista: a conquista de uma medalha olímpica.
- Vou trabalhar e treinar mais para baixar meu tempo o
suficiente para participar dos Jogos do Rio 2016 ao menos para buscar
experiência e medalhar na próxima – traça, com muita ousadia, o velocista.
Para
bater recordes, Jefferson da Silva sabe que é preciso, literalmente,
correr contra o tempo. Diariamente sua rotina começa cedo ao ir para o
colégio. Após o almoço, a bicicleta é sua grande companheira. São cinco
horas de treinos
entre a academia, que começa às 14h, na zona norte de Teresina, e corre
em
Timon, cidade maranhense. Lá, o atleta inicia às 16h e vai até as 20h.
Para economizar dinheiro, a volta para casa é a noite e também de
bicicleta.
Descoberto
no futsal, o recordista naturalmente sonha em participar das Olimpíadas
do Rio 2016. O tempo feito, pelos cálculos do próprio
atleta, o coloca entre os oito melhores do país. Conseguir uma vaga, nos
sonhos de Jefferson, não seria
algo impossível.
- Existe um trabalho intensivo e dedicado para melhorar o
tempo. O primeiro do ranking juvenil está com 10s41 e eu chegando a 10s50 vou
para segundo no ranking juvenil, já é uma marca boa. O primeiro colocado já
está entre os quatro melhores do Brasil na prova – revela o atleta.
Com
pouco mais de um ano e meio, Jefferson garante chegar com chances
olímpicas para 2022. Sabendo o que quer no futuro, ele se volta para os
planos mais próximos. Sem patrocínio, o atleta corre dentro das pistas
enquanto sua mãe corre
atrás de alguém que possa apoiar as suas viagens. Em setembro, ele terá
pela frente o Brasileiro Sub-23, que será realizado em São Paulo (SP), e
logo
em seguida participa do Norte/Nordeste Adulto, em Recife (PE).
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