quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Na estreia na Libertadores, Grêmio terá de superar Nacional e pressão do Estádio Parque Central




Cria do futebol uruguaio, Maxi Rodríguez precisou deixar a timidez de lado e virou consultor dos demais jogadores do Grêmio sobre os riscos que o acanhado Estádio Parque Central irá oferecer na partida desta quinta, às 22h15min, contra o Nacional, que marca a estreia da equipe na Libertadores.
Ainda tropeçando no português, que diz ser impossível de aprender, o ex-meia do Wanderers foi curto, mas revelador:
- Para jogar aqui, tem que ter muita raça, deixar tudo dentro de campo.
Dentro dos modernos conceitos de segurança do futebol, fica difícil imaginar uma partida entre dois clubes de tamanha tradição em palco tão diminuto. O grito da torcida chega forte dentro de campo, tal a proximidade entre um e outro. Só os jogadores de mais sangue frio não se deixam influenciar. Alçapão é a primeira palavra que vem à mente de quem entra no estádio. Se não houvesse uma tela de arame como separação, Enderson Moreira estaria ao alcance do braço de um torcedor mais ousado. A distância entre as cadeiras azuis e brancas e a beira do campo é de um metro, no máximo. Sem exagero, o Parque Central não passaria em uma inspeção para jogos do Gauchão.
Na estreia na Libertadores, Grêmio terá de superar Nacional e pressão do Estádio Parque Central Miguel Rojo, AFP/Mas Enderson e o Grêmio podem ficar tranquilos quanto a qualquer ato tresloucado. A direção do Nacional faz permanente campanhas para que a ordem seja mantida. Usa como exemplo uma recente interdição do estádio, que quase comprometeu uma campanha do time no Torneio Apertura.
- A torcida bota pressão. Mas, no máximo, o treinador vai ouvir escutar alguns palavrões. Qualquer coisa mais grave, a Sul-Americana suspende a equipe - tranquiliza Martin Gomez de Freitas, repórter da Rádio Rural de Montevidéu.
É possível até que se verifique o efeito contrário. Segundo o mesmo jornalista, por vezes o Parque Central vira um alçapão para o próprio Nacional. É quando o time não joga bem e os torcedores, revoltados, tiram proveito da proximidade da casamata para encher de impropérios o próprio treinador.
Tudo no Parque Central cheira a história. Inaugurado em 25 de maio de 1900, foi palco da abertura da Copa do Mundo de 1930. Permanente local de visitação de turistas, o estádio possui uma galeria de fotos daquele Mundial que mereceria horas para ser apreciada. Uma delas mostra uma partida disputada em 1906. Em outra, está retratada a entrada em campo da Seleção Brasileira para um jogo daquela Copa, época em que o  futebol uruguaio reinava no planeta. Em 2005, ele passou por uma ampla reforma. Se as linhas arquitetônicas foram mantidas, a capacidade foi aumentada para os cerca de 30 mil assentos atuais. Nos tempos antigos, quem costumava sentar numa dessas cadeiras era Carlos Gardel. É o que garante a direção do Nacional, que construiu uma estátua em tamanho natural do Rei do Tango. Na imagem, erguida há seis meses, Gardel veste terno escuro, com lenço vermelho no bolso, tem as pernas cruzadas e usa chapéu.
Em tamanho natural, a estátua chama a atenção pelo realismo. Um visitante desavisado pode imaginar que se trata mesmo de uma pessoa, que mira o gramado, como quem assiste a um jogo.
Antes mesmo que o Parque Central fosse erguido, a região onde ele se localiza, o bairro La Blanqueada, já havia entrado nos livros de história. Foi ali , em 1811, que o General José Artigas, o maior herói do país, foi nomeado chefe da Banda Oriental, abrindo caminho para a independência.
- É difícil jogar num campo com este, em que a pressão do torcedor é muito grande. Mas estamos acostumados a isso. Eles também nos respeitam - afirma Barcos.
- A pressão aqui é muito grande. Mas, lá na Arena, o adversário também sofre - completa Maxi Rodríguez, lembrando que nada se decide esta noite.
  Se gostou do blog, siga ou curta-nos em: https://www.facebook.com/sportsg

Nenhum comentário:

Postar um comentário