Desde que bateu o Manchester United na final da FA Cup em 2005, o treinador não sabe o que é levantar uma taça ao fim da temporada, é a hora da mudança para os Gunners.
Longos nove anos já se passaram desde que Arsène Wenger e o Arsenal levantaram sua última taça, quase uma eternidade para uma torcida que sempre vê seu time jogar bonito, vencer grandes adversários, mas, no final, desandar. Virou rotina: os Gunners destruiam no ínicio mas no fim todo mundo sabia que eles acabariam apenas com a tradicional vaga na Uefa Champions League. Esse ano na Premier as coisas não foram muito diferentes, as muitas rodadas na liderança e o ótimo primeiro turno foram despencando ponto a ponto ao decorrer da competição e a equipe londrina terminou a competição na quarta colocação.
Agora na FA Cup (curiosamente, o mesmo título de 2005, ano da última conquista), Wenger ve a oportunidade de se firmar novamente no comando dos londrinos, mesmo sofrendo com tantas críticas por parte dos torcedores, ora por sua falta de ousadia nas contratações (ou seria falta de fundos mesmo?), ora pela "amarelada" de seus jogadores em momentos decisivos.
"Especialista em fracassos", foi assim que o enigmático treinador José Mourinho descreveu seu colega de profissão, mas será que Mou está certo? Neste sábado (17), Arsène e seus comandados enfrentam o Hull City, em Wembley, lutando pelo título da FA Cup.
Antes da tempestade, a bonança
Quando Bruce Rioch foi demitido em 1996, havia um nome que era o aguardado por todos para assumir a equipe: Johan Cruyff. Ao invés do craque holandês, o escolhido foi outro: Arsène Wenger, o "Arsène Who?" (Arsène Quem?), como trouxe um jornal inglês na época. Pouco conhecido dentro do Reino Unido, o treinador era amigo de David Dein, na epóca ainda na diretoria. A primeira temporada acabou com os londrinos em terceiro e sem nenhuma conquista. A segunda porém ja fez Wenger mostrar para o que veio: as conquistas da Premier League e da FA Cup trouxeram cada vez mais confiança da torcida no francês, que dali a frente se tornaria sinônimo de Arsenal.
Adams, Vieira, Dixon, Overmars, Bergkamp, Anelka, Wright, Petit, Platt e Parlour, o Arsenal do fim dos anos 90 encantava, assim como o do começo de 2000, quando as antigas estrelas foram perdendo espaço (e outras se mantinham) para nomes que surgiam, como Thierry Henry, Robert Pirés e Ljungberg. Em 2001/2002 a equipe voltou a fazer a dobradinha com o título da FA Cup e da Premier League. Em 2002/2003 os londrinos voltaram a conquistar a copa, competição de futebol mais antiga da historia.
A coroação do trabalho veio mesmo na temporada 2003/2004. Com uma verdadeira constelação em seu elenco, o Arsenal repetiu o feito do Preston North End do começo do século XX e venceu o campeonato inglês de maneira invicta e entrou para a história. Nomes como Thierry Henry e Bergkamp foram os protagonistas dos ótimos resultados alcançados pelos Gunners no ínicio do novo milênio.
A coroação que todos esperavam era um título continental e o Arsenal esteve perto de chegar ao topo da UEFA Champions League, não fosse o gol de Belleti no confronto contra o Barcelona, de Ronaldinho Gaúcho, em 2006, único ano em que Wenger chegou a final da competição.
Da FA Cup 04/05 à FA Cup 13/14, o que mudou para Wenger?
No Arsenal, quase tudo mudou. Mudaram os jogadores, mudou o presidente e até o fiel escudeiro Pat Rice se aposentou. Nos últimos nove anos, só uma coisa se manteve: Arsène Wenger. A relação treinador-clube é tão intensa que é difícil imaginar como seguirá o caminho dos dois quando se separarem, se é que isso vai acontecer. Wenger mudou. Sua filosofia de trabalho que gera dúvidas a muitos fanáticos torcedores foi tomando conta cada vez mais da formação.
Como processo natural, o seu supertime de Bergkamp, Parlour, Campbell e outros craques envelheceu, jogadores se aposentaram, velhos ícones temporada a temporada foram deixando o Emirates Stadium. A solução que AW encontrou pra isso foi teoricamente uma só: jovens jogadores. Contratar jogadores com pouca idade e desenvolve-los a sua maneira sempre foi um dos pontos fortes do trabalho de Wenger, mas a mescla que antes ocorreu não era mais vista. Até Thierry Henry, um dos maiores ídolos da história decidiu deixar o clube para defender o Barcelona.
A chegada de Özil e a perda de Van Persie: agora é a hora?
Não se sabe o que foi mais espantoso para o mundo futebolístico: a saída do "último romântico" gunner, Robin van Persie, para um dos maiores rivais ou a notícia de que Arsene Wenger estaria quebrando o recorde de transferência do Arsenal e trazendo para Londres o meia Mesut Özil, um dos melhores jogadores do mundo. Ver o holandês deixando a equipe depois de uma de suas melhores temporadas foi dificil, mas a chegada do alemão, ex-Real Madrid, retomou a confiança da torcida no trabalho de Wenger.
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