'Deixados de lado', ciclismo, esgrima e levantamento de peso, por
exemplo, chegam a render 129 medalhas em uma edição de Olimpíada
Pelos números mais otimistas do Comitê Olímpico Brasileiro (COB), o Brasil vai terminar os Jogos Olímpicos de 2016 entre os dez primeiros pelo total de medalhas (28 em 18 modalidades). Para alcançar essa meta, a entidade implementou um plano estratégico, ainda em 2007, quando ganhou o direito de sediar o evento. No ciclo passado, o COB preparou, com a ajuda das Confederações, um guia para o desenvolvimento sustentável de todas as modalidades. Apesar dessa busca, esportes como ciclismo, esgrima e levantamento de peso, que distribuem ao todo 129 medalhas (54, 30 e 45, respectivamente), foram “deixados de lado”.
- Buscar o desenvolvimento de modalidades que historicamente não apresentam muitos resultados é complicado. Os custos são muito altos para abranger diversos esportes em um país de tamanho continental. Temos uma meta (top 10). Então, precisamos buscar medalhas para alcançar essa posição. Mas isso não quer dizer que vamos colocar esperança em esportes que não têm a tradição de conquistas. Temos que pensar de acordo com o estágio em que se encontra cada modalidade no momento - explicou o gerente do programa de alto rendimento do COB, Jorge Bichara.
Nos Jogos de Londres, em 2012, o Brasil terminou na 14º posição no quadro de medalhas, ao lado da Hungria, com 17 pódios conquistados em nove modalidades diferentes (boxe, futebol, ginástica, judô, natação, pentatlo moderno, vela, vôlei e vôlei de praia). O problema fica por conta da cultura exagerada de apoio maciço aos esportes coletivos no país, o que acaba atrapalhando no desenvolvimento de outras modalidades individuais como boxe, canoagem, ginástica, lutas, remo e tiro, que têm maior número de medalhas em disputa.
- Apesar de serem esportes que possam render muitas medalhas, ainda não temos a pretensão de que eles vão medalhar em 2016. Vamos ter um legado positivo caso esses esportes façam boas apresentações para o público brasileiro. Visamos o desenvolvimento para 2020 e 2024. Medalhistas olímpicos são construídos ao longo dos anos - disse Bichara.
O romeno Dragos Doru Stanica, treinador da seleção brasileira de levantamento de peso, sabe bem o que o país poderia aproveitar com o seu esporte.
- Vivemos uma situação generalizada em diversas modalidades. Não há um trabalho de base sendo realizado pelo Governo ou por órgãos responsáveis. No caso do levantamento de peso, teremos uma competição em nível nacional (Copa Petrobras) para atletas até 15 anos e vão participar apenas 15 homens e 20 mulheres. Quando chegar no futuro, não há de onde tirar competidores em nível internacional. Isso demonstra que o trabalho realizado na base é fraco - disse o romeno.
Bichara garante que as Confederações têm recebido bons aparelhos e equipamentos. No entanto, ele admite que ainda não foi possível desenvolver núcleos que possam atender as regiões mais distantes do país.
- Ainda há um trabalho grande a ser feito nessas modalidades e isso só é realizado ao longo do tempo.
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