sábado, 16 de agosto de 2014

Jogos da Juventude podem dar início à 'colheita' do Brasil visando 2016

Hugo Calderano, do tênis de mesa, e Marcus Vinícius D’Almeida, do tiro com arco, são apontados como atletas com potencial para brilhar em Nanquim e no Rio de Janeiro
 


Com o conceito de introdução ao olimpismo sem a obrigatoriedade de competir visando exclusivamente à conquista de medalhas, os Jogos Olímpicos da Juventude de 2014 começam a ser disputados neste sábado, em Nanquim, na China. Para alguns atletas, o intuito desse evento pode ser aplicado sem problemas. No entanto, existem casos onde, além de “colher o fruto imediatamente” na disputa entre jovens de 15 a 18 anos, já há o pensamento (e o trabalho) para “novas colheitas” serem realizadas em competições futuras.

A medalhista olímpica Adriana Behar, que será a chefe de missão da delegação brasileira pela segunda vez, explica que muitos atletas presentes em Nanquim já têm carreiras internacionais e apresentam resultados importantes para entrarem na competição bem qualificados e com moral elevado. Apesar disso, a ex-jogadora de vôlei de praia, atual gerente de planejamento esportivo do Comitê Olímpico Brasileiro (COB), garante que eles vão competir na China sem nenhum tipo de pressão.

- A evolução que eles apresentarem é o que mais importa. A gente torce para que chegue ao ápice (medalha) lá na China. Mas tudo isso é um processo contínuo. Aqueles que vão competir em 2016 também vão entrar sem esse peso. Ainda não podemos colocar sobre os ombros desses jovens qualquer responsabilidade futura - explicou a dona de duas medalhas de prata olímpicas (Sydney 2000 e Atenas 2004).




Hugo Calderano (foto) ocupa atualmente o posto de número 63 no ranking mundial - DivulgaçãoO mesatenista Hugo Calderano e o atleta do tiro com arco Marcus Vinícius D’Almeida, citados pelo superintendente executivo de esportes do COB, Marcus Vinícius Freire, como joias que estão sendo trabalhadas para apresentarem resultados de forma gradual, podem entrar no grupo de modalidades contribuintes para o plano da entidade em terminar os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, em 2016, no top 10.
- O meu xará (Marcus Vinícius D’Almeida) é um jovem que pode dar resultado em 2016. Ele e o Hugo (Calderano) estão sendo trabalhados para renderem da melhor forma. Se puderem render frutos nas próximas competições será muito importante, mas temos que pensar no futuro. E o trabalho do COB visa preparar os atletas também visando os Jogos de 2020 e 2024 - disse o superintendente.

Destaque internacional desde a adolescência
Com apenas 16 anos, Marcus Vinícius D’Almeida já é considerado um dos maiores atletas brasileiros do tiro com arco. Apesar de jovem, o atirador, que começou a treinar com a equipe adulta ainda aos 14 anos, fez história durante os Jogos Sul-Americanos de Santiago, em março deste ano, ao quebrar o recorde da competição no individual e faturar o ouro. Em maio, ao lado de Sarah Nikitin, ele conquistou a inédita medalha de prata na dupla mista durante a segunda etapa da Copa do Mundo, em Cali (Colômbia), e ainda ficou em quinto lugar geral do individual. Além disso, no ano passado, ele foi o 17º colocado no Mundial profissional, na Turquia.

A atual gerente de planejamento esportivo do COB, Adriana Behar, será a chefe de delegação do Brasil pela segunda vez - Divulgação 

Hugo Calderano, aos 17 anos, já aparece entre os 100 melhores jogadores do mundo. No último ranking mundial divulgado pela Federação Internacional de Tênis de Mesa (ITTF, em inglês), o brasileiro ocupava a 63ª posição com 2.126 pontos, a melhor de sua carreira.

- Treino para estar na seleção brasileira em 2016. Preciso continuar o trabalho que já vem sendo feito, com treinamento forte e participação em muitas competições internacionais - contou Calderano.

Como forma de intensificar o trabalho citado por Marcus Vinícius Freire, o COB contratou a inglesa Sue Campbell como consultora para o Programa 2020 e 2024 da entidade. O objetivo principal é auxiliar as Confederações Brasileiras Olímpicas no desenvolvimento e confirmação de atletas para o alto rendimento. Sue é ex-presidente da UK Sport, um dos órgãos que dirigem o esporte britânico. Apesar do desejo de estruturar uma base para o futuro e do discurso de inserção no ambiente olímpico, um bom desempenho do Brasil nos Jogos de 2016 é sempre citado pelos dirigentes do COB.

- O Hugo Calderano e o Marcus Vinícius são exemplos perfeitos de atletas que vão disputar os Jogos da Juventude e podem ajudar o Brasil nos Jogos de 2016. Mas isso sem criar expectativas. Eles têm o tempo deles e temos que respeitar - afirmou Adriana Behar.

O Brasil terá a segunda maior delegação dos Jogos da Juventude – Divulgação/COB
 
Além das 28 modalidades esportivas em disputa, os Jogos Olímpicos da Juventude apresentam um extenso programa cultural e educativo para transmitir, de forma lúdica, aos jovens atletas o olimpismo e seus valores, além de buscar sensibilização para questões importantes, tais como os benefícios de um estilo de vida saudável e a luta contra o doping.

Em 2010, nos Jogos Olímpicos da Juventude, realizados em Cingapura, o país foi representado por 81 atletas e conquistou sete medalhas (três de ouro, três de prata e uma de bronze). Para a atual edição, o Brasil conseguiu classificar a cota máxima individual estabelecida pelo COI e ainda terá a presença dos times masculino e feminino de handebol. Com 97 componentes, a delegação brasileira chega como a segunda maior no evento, atrás apenas da China, país anfitrião.

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