Gabriel resiste à tentação natural a um jovem de 20 anos que vive e trabalha na praia para direcionar o seu foco para a missão de virar o 1º brasileiro campeão do WCT
Imagine belas
mulheres bronzeadas usando trajes minúsculos e doidas para caírem nos braços de
um jovem cheio de saúde. A cena desejada por milhões e milhões de homens é
uma realidade comum ao dia a dia de Gabriel Medina,
atual líder do ranking mundial
de surfe. Os rapazes solteiros não pensariam duas vezes antes de se
entregarem
à tentação da carne. E o paulista de 20 anos de idade seguiu a tendência
natural nas últimas duas temporadas. Mas, neste ano, após alternar
ótimos e fracos resultados, ele decidiu mudar
radicalmente. Não resistir à tentação em lugares como Austrália,
França, Havaí, Portugal e Brasil estava tirando o foco principal do
fenômeno da nova geração: ser o primeiro brasileiro campeão mundial do
WCT, circuito que reúne a elite do esporte. Era hora de evitar garotas e
até baladas, principalmente perto dos campeonatos, para que ele pudesse
pensar apenas em surfar ondas melhores do que os seus adversários de
altíssimo nível.
O esforço tem valido a pena. Passadas seis das onze etapas da
temporada, Medina está na ponta, à frente de feras campeãs como os australianos
Joel Parkinson e Mick Fanning, além do mito Kelly Slater. Juntos, esses três
somam nada menos do que 15 títulos mundiais, sendo 11 do americano. A dura
abstenção de Gabriel vai ser colocada à prova novamente a partir desta
sexta-feira, quando começa a disputa do WCT de Teahupoo, a "praia dos crânios quebrados", no Taiti.
- Eu
falei não para várias coisas. Balada? No ano passado, eu saí
bastante e nesse ano eu já estou dizendo não várias vezes. Mulherada também com
certeza influencia. Às vezes, você precisa ficar mais calmo, mais tranquilo.
Essas coisas que você diz não acabam te ajudando no futuro. Mulher,
em qualquer esporte, não sei é um problema, mas é uma coisa que você precisa se
preocupar. Se você tenta evitar, isso vai acabar te ajudando. A gente vive na
praia e sempre tem mulher na praia, principalmente, nos campeonatos. Eu aprendi
a pensar desse jeito e hoje em dia não é problema para mim. Mulher em período de
campeonato nem pensar. Por
isso, eu tento viajar sempre com a minha família. Eu sempre estou levando eles,
porque eles me deixam mais concentrados e me ajudam a manter o
foco. Eu vou fazer o possível para ser campeão mundial - explicou
Gabriel, com seu jeito tímido, em São Paulo, no dia em que embarcou para
o Taiti (assista ao vídeo com a entrevista).
Além
de abrir mão de sair com as várias mulheres que não saem do seu pé,
muitas delas as chamadas "maria-parafinas" - em alusão ao termo
futebolístico "maria-chuteira" -, Medina também deixou de jogar futebol e
de andar tão constantemente de skate.
- No ano
passado, eu caí na realidade. Quando eu entrei no WCT (na metade de 2011), eu
ganhei duas etapas, fui bem em várias que duvidavam de mim e me
empolguei demais. No ano seguinte, eu comecei mal, comecei de forma horrível na
perna da Austrália, mas serviu de inspiração. Eu normalmente jogava bola, hoje em dia eu não
posso jogar. Antes, eu andava mais de skate.
Líder do
ranking mundial, com 36.150 pontos, Gabriel precisa de um bom resultado nos temidos
tubos de Teahupoo para não perder a ponta. Os seus principais adversários estão
bem perto na lista. O vice-líder, Joel Parkinson, está com 34.400 pontos. Mick
Fanning vem logo atrás com 32.650, Taj Burrow (AUS) é o quarto, com 31.950), o
taitiano Michel Bourez é o quinto (30.500) e Kelly Slater vem em sexto, com
30.350. Além deles, o paulista Adriano de Souza, em sétimo lugar, com 30.100,
fecha a lista de seis surfistas que podem tomar a dianteira de Medina nesta
importante etapa do WCT.
- Esses
cinco primeiros ou seis primeiros são sempre os mesmos. Kelly, Mick, Parko e Taj. Na verdade, eu nunca imaginei. Sei lá, estou
vivendo um sonho de estar ali no topo, na frente desses caras que sempre foram
os meus ídolos. É até estranho eu estar ali, mas é a realidade. Eu vou fazer de
tudo para conseguir um bom resultado em Teahupoo para manter o topo e continuar
bem na luta pelo título mundial.
Eu tenho
treinado bastante, estou muito confiante e com pranchas muito boas. Já foi metade da temporada e eu
estou muito ansioso para ver o que vai acontecer até o final do ano.
Sempre falando em ser campeão mundial, Gabriel afirma ter traçado vários
planos para atingir o feito que se espera dele desde que virou o mais
jovem surfista a ser campeão de uma etapa do WQS, a divisão de acesso do
surfe mundial, aos 15 anos de idade, na Praia da Joaquina, em
Florianópolis, em 2009. Depois da disputa no Taiti, restarão cinco
etapas do WCT: Trestles (EUA), Hossegor (FRA), Peniche (POR) e Pipeline
(HAV).
-
Estas
etapas que estão por vir são etapas boas para mim. Eu já fiz bons resultados na
França, Portugal, Trestles e Havaí. Se eu for
bem, depende o bem, no Taiti, e conseguir um terceiro lugar para cima nas duas próximas etapas, acho
possível o título mundial em Portugal. Existe sim a possibilidade de ser campeão
antecipadamente. Mas esse é o plano A. Também tenho o plano B e o plano C. O
que eu quero é ser campeão mundial - finalizou Gabriel Medina.
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